Ás
vezes, quando o sofrimento é grande e profundo, as palavras não conseguem corretamente
exprimi-lo. Mas isso não é motivo de preocupação pois o Espírito intercede
por nós (Ro 8.26).
Contudo,
o nosso relacionamento com o Espírito Santo de Deus não está necessariamente
inerente a um suposto revestimento de autoridade extra, atribuído aos que
costumam praticar ou testificar fenômenos sobrenaturais por parte dele, pois
apesar de sermos sujeitos à experiências diversas e adversas com o plano
espiritual, nem sempre tal premissa possui uma legítima ligação com o
Espírito Santo propriamente dito.
Durante o fenômeno do dia pentecostes que
marcava os 50 dias após a celebração da Páscoa, descrito na Bíblia em Atos
2:1-4, os judeus dispersos ao longo do tempo, oriundos de várias nações,
tiveram a experiência singular de receber a capacidade de falar em línguas
estrangeiras, como poder sobrenatural de Deus. Tal fenômeno foi responsável por selar uma
união espiritual jamais vista, após o incidente da Torre de Babel atribuído
aos descendentes de Noé, descrito em Gênesis 11:1-9, gerando a divisão do
povo por meio da variedade de línguas terrenas. Esse acontecimento
entretanto, não está obrigatoriamente ligado com a profecia dos dons
espirituais, mencionado em 1 Coríntios 12:4-11.
"Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há
diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diversidade de
operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.Mas a manifestação do
Espírito é dada a cada um, para o que for útil.Porque a um pelo Espírito é
dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da
ciência; A outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito,
os dons de curar; A outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a
outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a
outro a interpretação das línguas.Mas um só e o mesmo Espírito opera todas
estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer ". 1
Coríntios 12:4-11
Partindo como referência o tal versículo,
tal premissa não se trata do fenômeno conferido em Atos 2 e sim na
diversidade de dons concebidos por Deus, no intuito de aplicar tais virtudes
em nossa santidade instrutiva, em espírito de comunhão com o SENHOR, em
ocasiões determinadas, independente do contexto paranormal ou prodigioso que
ele possa ser aplicado ou interpretado.
Ainda que alguns dos dons conferidos por
Deus, muitas vezes sejam distintos dos padrões normais de uma sociedade
secular, muitas dessas manifestações referidas como experiências miraculosas
e de extremo efeito foram condenadas por Paulo à igreja de Corinto, descrito
em pelo seu excessivo vigor contextual
e restrito, gerando dispersões e divisões no corpo congregacional. Além disso testificou-se ali,
contendas e incoerência com os rituais normalmente reverenciados por todos os
membros da igreja. Tais prática eram sujeitas ao uso da glossolalia
(ciência psiquiátrica que estuda o expressar-se em uma língua por ele
desconhecida e demais comportamentos relacionados) em um contingente de pessoas
que buscavam um aprimoramento interespiritual alheio à suas eventualidades. Tal procedência na prática
da glossolalia, ou seja a pronúncia de sons vocálicos ininteligíveis, como
ligação espiritual particular, vai muito
além da comunhão com o Espírito Santo e
abrange muitas outras religiões presentes
ao longo da história (budismo, hinduísmo, islamismo, etc.) e estão presentes
em diversos rituais e seitas afins.

“Irmãos, não
sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no
entendimento.Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros
lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor.De
sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e
a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis. Se, pois, toda a
igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem
indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos?”
1 Coríntios 14:20-23
“Se alguém falar
em língua, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e cada um por sua
vez, e haja um que interprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado
na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus. Falem os profetas, dois ou três,
e os outros julguem. Mas se a outro, que estiver sentado, for revelada alguma
coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, cada um por sua
vez; para que todos aprendam e todos sejam consolados; pois os espíritos dos
profetas estão sujeitos aos profetas; porque Deus não é Deus de confusão, mas
sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos”
1 Coríntios 14:27-33
Leia-se
que os dons espirituais indiferentes de línguas ou profecias devem ser algo
restrito às tais condições citadas nos versículos, aplicando-se a todos os
participantes de um corpo congregacional e não de um grupo exclusivo e de um contexto
específico.
Sinais
de uma vida com o Espírito Santo:
Viver
com Deus é viver com o Espírito em sintonia com a sua vontade, dirigindo,
testificando o que agrada a Deus ou não. No mais, a vida pode ter momentos de
dores e tristeza, mas confiando na vitória sobre as dificuldades, ainda que
demore, Deus é fiel e nunca nos desamparará (Revista Atitude Aluno, Maio 2010)
Apesar da grande diversidade que o
Espírito Santo de Deus nos proporciona ao relacionarmos com Ele, existem
indicadores comuns e cotidianos que evidenciam uma vida de plena aliança com
o mesmo ou não.
Quando se tem uma vida cheia do Espírito:
·
O Fruto do Espírito faz parte de nosso
comportamento (Gálatas 5:22-2);
·
O nosso relacionamento com o Espírito Santo é íntimo, revelando
desejos de nosso coração segundo aquilo que está proposto a todos nas
Escrituras e repercute em nossa comunhão e amor com os demais, sem restrições
e dissoluções (1 Coríntios 13:1-3);
·
Os Dons do Espírito se manifestam diante de nós em obediência, como
característica de nosso relacionamento com Deus e sobretudo pelo nosso
conhecimento bíblico (1 Corintios 12 );
·
Há uma busca contínua de discernimento, levando-nos a instrução e distinção
das coisas que não estão fundamentadas na palavra (2 Timóteo 3:16,17);
·
O cristão está sujeito e submisso não só à autoridade de Deus, mas aos
líderes e pastores que compõe a sua congregação, e aos líderes de seu
estabelecimento dos quais o próprio Deus concedeu autoridade (Tito 3:1, Atos 20:28-31; 1
Coríntios 14:29; 1 Timóteo 4:1-6, 1
Tessalonicenses 5:12).
Quando não se tem uma vida cheia do Espírito:
·
Adota-se uma relação de amor e ódio pelo evangelho, por Deus e pelo
estilo de vida em santidade (João 15:19, Efésios 4:25-32);
·
Há sempre uma insegurança da salvação e do seu chamado sem ao menos
tomar uma postura diante do que Deus oferece. Diante disso, busca revelações
de caráter extrabíblicos ou suplementares que garantam confirmações que vão
além da razão pessoal (1João4:6, Salmos 32:2);
·
Adorna-se a uma autoridade espiritual a um nível acima dos demais na
igreja, revestindo-se de poderes sobrenaturais de profecias e revelações
restritas a um grupo seleto e exclusivista de conveniência social. (Ezequiel
13:3, Marcos 13:22, 1Coríntios 14:20-23, Deuteronômio 18:9-12);
·
Pessoas são facilmente influenciadas por um grupo religioso onde se deseja
inclusão e reconhecimento dos demais (Salmos 1:1, Lucas 21:8, Mateus 24:23);
·
Encontra-se constantemente em rebelião com a política da igreja, violando
conceitos relacionados a uma ordem comum a práticas de comportamento e
conduta (Deuteronômios 17:3, 1Samuel 15:23) ;
·
Não se aceita um crescimento pessoal gradual, violando etapas no seu processo
de maturidade, aceitando qualquer pretexto externo de capacitação e
orientação, a partir daquilo que lhe parece mais razoável ou
atrativo.(Eclesiastes 3:1-9, Filipenses 2:3, 1Coríntios 3:1-7, Provérbios
18:2).
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